domingo, 6 de agosto de 2017

Natação Tai Chi

Há muita confusão em torno do que é Tai Chi, e o que é Tai Chi Chuan. O Tai Chi Chuan é uma arte marcial chinesa de orientação taoísta, Chuan significa punho."Tai Chi" significa, “seguir o fluxo da natureza”, “equilíbrio universal”, “estado supremo", tem a conotação filosófica de elevação, purificação. O diagrama do Tai Chi é mais conhecido no ocidente como o símbolo do yin-yang. Segundo especialista tudo que fazemos pode ser Tai Chi, pois Tai Chi é  um termo chinês para algo que se expressa, de forma superior, elevada, em diferentes formas de disciplina.  Saber fazer algo com naturalidade, sem esforço é Tai Chi, pois fazer desta forma é o auge da compreensão daquilo que fazemos. Se estivermos conscientes, prestando atenção naquilo que estamos fazendo e abertos para mudanças, mudanças internas que refletirão nas externas, com a prática descobriremos as sutilezas daquilo que praticamos e a medida que isso vai acontecendo o esforço vai desaparecendo, pois vamos aprendendo a natureza da  atividade a qual estamos nos dedicando.

A natação é Tai Chi quando aprendemos a nadar de forma natural, eficiente e sem força, quando nos sentimos parte da água e nadamos com a água e não contra a água, e  compreendemos e sentimos que a água faz quase tudo por nós se agimos de forma harmônica com ela, deixando-nos fluir sem resistência, deixando que os movimentos aconteçam naturalmente. A natação passa a ser meditação em movimento. Há uma sensação de abandono e de consciência ao mesmo tempo.


A Natação Tai Chi é um caminho para o crescimento holístico, tem como objetivo o desenvolvimento físico, psicológico e espiritual . Sua prática  é um processo de auto-descoberta que leva a uma consciência plena da unidade corpo-mente .  Estimula o desenvolvimento pessoal , através de uma maior auto-consciência e da compreensão das próprias dificuldades.

Na prática da Natação Tai Chi, há a necessidade de treinar descontraído e relaxado, deixando a respiração fluir naturalmente. Mas para que tal aconteça é necessário uma pratica muito consciente. Aprender a ser flexível e sensível na água. Existe uma tomada de consciência exterior e interior ao mesmo tempo. A  essência dos movimentos vai-se adquirindo com a prática quotidiana da Natação Tai Chi, de forma natural e prazerosa. Se no início há um esforço consciente para aprender a nadar, vamos pouco a pouco adquirindo leveza e naturalidade nos movimentos e na respiração, e realizamos os nados cada vez mais descontraidamente.

Estudando as filosofias do Tao e do Zen  (Tao Te Ching de Lao Tse e  o zen budismo), e procurando aplicá-las a vida diária e a natação, e também pesquisando sobre os princípios do Tai Chi Chuan, que na verdade é a aplicação da filosofia taoista, me identifiquei muito com estas filosofias desde o princípio, mesmo antes da natação, e depois, comecei a nadar e ensinar a natação através delas. Após mais de vinte anos aplicando estas filosofias na natação e obtendo resultados  como compreender os nados de forma natural e conseqüentemente  a nadar sem fazer força, inclusive o nado borboleta, me sinto a vontade em dizer que  minha natação é Tai Chi. E a sua também pode ser.

fontes: 
Expansão e Recolhimento: a essência do t'ai chi; Al Chung-liang Huang; São paulo: Summus
https://caminho-natural.org/tai-chi/
 

terça-feira, 13 de junho de 2017

A essência do nadar

    A natação moderna baseia-se na competitividade, tendo como fim nadar cada vez mais rápido. Mas para quem não quer ou não gosta de competir mas gosta ou gostaria de nadar, qual seria a finalidade da natação? Pelo condicionamento físico,  pela prática de uma atividade saudável ou pelo prazer de estar se movendo na água? Pode ser tudo isso mas, pode ser muito mais. Podemos ter na natação uma excelente ferramenta de apoio ao desenvolvimento pessoal. Aprender que, se nada com a água e não contra a água, aprender o princípio da ação perfeita, compreender na prática o significado de "wu wei", vencer o orgulho (nosso pior inimigo), ser mais  consciente e desenvolver o auto conhecimento. Tudo isso pode ser alcançado com a prática da natação focada no ser como um fim, e todo o resto será consequência. Condicionamento físico, saúde, prazer em nadar, tudo será uma boa consequência de querer se desenvolver como ser humano através da uma prática mais consciente da natação. 
   Em determinado momento a relação com a água chega a ser algo meio místico, começamos a ver a água como um ser vivo que nos acolhe, que nos ensina a medida que nós deixamos a vontade de dominar, controlar e nos entregamos para tornarmos um só com ela. É uma questão de confiança, confiança de que a água pode fazer por nós aquilo que gostaríamos de fazer, assim, nos entregamos de corpo e alma a ela e o esforço para nadar desaparece. A essência para se conseguir tudo isso é relaxar, relaxar na água, saber relaxar enquanto nada, está é a chave que permite transcender a prática da natação em um nível superior de entendimento do corpo com a água. Relaxar é a essência do nadar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Aprendendo a nadar com os animais

            Observar peixes e outros animais aquáticos em seu ambiente e imaginar-se nadando como eles é como voltar a ser criança, sonhar. Nunca nadaremos como eles mas podemos aprender muito observando-os, e usar isso para nossa natação. Devemos primeiro entender o que realmente é nadar como um desses animais. Se ficarmos focados em nadar rápido nos afastaremos cada vez mais da ideia de nadar como eles pois, a velocidade é uma consequência da forma como nadam, independente do tamanho e força, proporcionalmente, comparados a nós seres humanos, são todos rápidos quando necessário.
             Os órgãos responsáveis pela propulsão e equilíbrio dos peixes na água são as nadadeiras ou barbatanas. Nos mamíferos aquáticos, como as baleias e focas, as barbatanas são transformações das extremidades dos membros (mãos e pés). Ao observarmos estes animais em movimento notaremos que não há rigidez em suas nadadeiras, elas cedem à flexão e à pressão num estado de maleabilidade e flexibilidade. Então devemos crer que se fizermos o mesmo com nossas mãos e pés de forma coerente enquanto nadamos, seremos capazes de nadar melhor, com menos esforço.  
         Os golfinhos e baleias respiram através de um orifício localizado acima da cabeça, que é por onde eles expelem o ar e pegam fôlego para mergulhar. Este orifício está assim localizado para que não seja necessário elevar toda a cabeça fora da água para respirar, poupando esforço e energia. O nado de costas nos permite uma posição semelhante, boca e nariz ficam para cima enquanto a maior parte da cabeça está dentro da água. O Nado crawl também, pois no momento da respiração giramos até a boca e nariz saírem da água mantendo a maior parte da cabeça dentro. 
          Outro animal que nos faz pensar é o urso polar. Ele é um excelente nadador, nada num estilo cachorrinho usando seus membros dianteiros para propulsão, alcançando uma velocidade de até 9,7 km/h. Não é interessante esse detalhe de usar apenas os membros dianteiros para propulsão? Não usar os membros traseiros talvez economize energia e não faça diferença na propulsão. A pernada no nado crawl por exemplo tem uma função de sustentação e equilíbrio, ela parece ser propulsiva mas, na verdade, quando faz sua função de sustentação e equilíbrio do nado ela otimiza a propulsão dos braços deixando o corpo todo mais horizontal, próximo da superfície da água, diminuindo a resistência e facilitando o deslize, melhorando assim a velocidade e diminuindo o esforço. 
           Não é apenas uma questão de imitar os animais e sim compreender a mecânica dos movimentos que os fazem nadar com naturalidade. Ainda há muito o que observar e aprender com as mais variadas espécies de animais que tem a água como meio ambiente ou que passam boa parte de suas vidas nela e assim, vamos aprendendo, para nadar cada vez melhor.

domingo, 6 de setembro de 2015

Acreditando no "impossível"

Para a grande maioria das pessoas que gosta de nadar, nadar o golfinho é sinônimo de muito esforço. Nadá-lo é sonho impossível de se realizar pois o que se vê são pessoas se "matando" para conseguir atravessar uma piscina, assim, conclui que apenas atletas treinados e com muita força são capazes. Isso é o que vemos em toda parte: nos livros, nas matérias de revistas, dos próprios professores. "Borboleta é muito difícil e exige muito esforço". Acabamos aceitando como verdade e nem questionamos. E de certa forma é uma verdade pois é a vivencia da maioria, então é a verdade  dela, mas não uma verdade absoluta. Segundo estudos de especialistas e de acordo com seus cálculos, devido ao corpo relativamente grande, teoricamente é impossível um besouro voar. Mas ele voa. E talvez se ele soubesse dessa teoria ele nem tentaria voar e não voaria. O mesmo acontece, por exemplo, com meus alunos,  aqueles que já vem com o preconceito de que nadar o golfinho é difícil e é necessário muita força, tem mais dificuldade de aprender do que alunos que não tem essa noção e encaram-no como outro nado qualquer. Não é porque a maioria acredita que não dá pra fazer, que não dá pra fazer. A maioria já começa não acreditando por acreditar em quem não conseguiu e aí nem tenta, outros tentam mas não sabem o caminho certo para conseguir e se frustram e acabam desistindo e passam a acreditar que não dá pra fazer. Mas se você acreditar que é possível nadar o golfinho como qualquer outro nado, de que você consegue aprender e executá-lo de maneira relaxada e sem esforço, e trilhar o caminho certo para isso, então será capaz disso.

https://www.youtube.com/watch?v=zON8W9QaZFA

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A naturalidade de nadar

     Nadar pode ser tão natural como caminhar ou correr. Para isso é necessário muita prática, mas não uma prática qualquer. Tem de ser uma prática consciente que busque compreender e executar os nados de forma natural, que é a forma mais simples e ao mesmo tempo mais eficiente de se fazer alguma coisa. Muitas das técnicas ensinadas são artifícios usados na tentativa de tornar os nados mais eficientes, muitas vezes estudando apenas as partes e não o todo, analisando uma determinada articulação ou um grupo muscular desconsiderando momentaneamente outros que, na verdade, de alguma maneira estão interligados. Então uma posição ou um movimento que isoladamente pode parecer ideal pode não se encaixar no todo e aí o nado não flui. É preciso ver o todo para compreender as partes. Se é um artificio significa que é um meio artificial do qual se produz algo e se não é natural não é a melhor forma de fazer, pois tudo que fazemos com naturalidade utilizamos somente o que é necessário para cada ação. Quando o movimento é natural ele está livre de toda tensão desnecessária. Ao observar uma pessoa caminhando podemos constatar como os movimentos são feitos de forma descontraída, os braços soltos ao longo do corpo pendulando suavemente conforme o ritmo da passada, os pés saem do chão apenas o necessário para que não arraste ao dar o passo à frente, os músculos do tronco e membros inferiores se tensionam apenas o necessário para nos manter em pé. É assim que devemos pensar ao executar qualquer nado, nos perguntando o que estamos fazendo que não precisávamos fazer.
     Para que o nado se torne natural é preciso estar muito à vontade na água, estar totalmente adaptado e se sentindo parte dela. Depois é preciso estar consciente de nós mesmos e ter domínio de nossas ações. Na verdade estas ações são muito mais deixar de fazer do que fazer, pois é eliminando as tensões desnecessárias que conquistaremos a naturalidade nos movimentos e nos nados.

sábado, 9 de maio de 2015

A posição da cabeça durante a expiração

Durante o nado, no momento em que a cabeça se encontra dentro da água, devemos relaxar o pescoço e deixar que a água sustente a cabeça para nós. É o que acontece quando deitamos na água em decúbito ventral, de barriga para baixo, com o rosto na água, apenas boiando. Soltamos todo o corpo, relaxamos e flutuamos. Esta posição da cabeça é a mesma que devemos adotar durante o nado pois, é a posição natural da cabeça quando dentro da água. Não há tensão para posicioná-la, nem para baixo, nem para frente. A musculatura do pescoço fica relaxada e a água faz todo trabalho para nós. Naturalmente a cabeça assume uma posição mais baixa devido sua densidade, ficando a maior parte dentro da água e uma pequena parte da região posterior fora, como acontece com os icebergs, 90% dentro e só 10% fora d'água. Podemos observar também que o olhar fica voltado para baixo sem que possamos ver o que está à frente, ao menos que intencionemos para isso. Então, independente do nado, seja o crawl, o peito ou o golfinho, ao entrar com a cabeça na água ela assume a mesma posição para todos os nados. Durante o nado, no momento em que a cabeça se encontra dentro da água, devemos relaxar o pescoço e deixar que a água sustente a cabeça para nós. É o que acontece quando deitamos na água em decúbito ventral, barriga para baixo, com o rosto na água, apenas boiando. Soltamos todo o corpo, relaxamos e flutuamos. 

A respiração na natação

     Quando nadamos e não respiramos corretamente logo somos obrigados a parar para descansar e recuperar o fôlego. Uma má respiração faz com que não chegue oxigênio suficiente nos músculos para que possamos nadar de forma continua, ficamos com debito de oxigênio no organismo. Um bom condicionamento físico faz com que melhore a capacidade aeróbia, mas só o fato de praticar respirando da maneira correta conseguimos melhor desempenho com menos esforço. 
     Mas afinal, o que é uma respiração correta para nadar?
     Na natação inspiramos exclusivamente pela boca e a expiração é feita pela boca, pelo nariz ou pelos dois ao mesmo tempo. Apesar de as três formas de expiração serem validas a que fazemos só pelo nariz é a melhor por dois motivos, o primeiro é que podemos controlar melhor a respiração soltando o ar de forma mais regular e, segundo, dependendo da posição da cabeça ela evitará que entre água pelo nariz pois, enquanto o ar está saindo não tem como a água entrar.
     Essa respiração deve ser praticada até que ela se torne natural, assim: inspirar em um único tempo quando tirar o rosto da água e expirar quando dentro da água sem interrupção, quer dizer, sem prender o ar. Mas ela só se tornará natural quando for feita de forma tranqüila e relaxada, assim como é nossa respiração fora da água no ambiente terrestre. Além disso, existe a questão do ritmo do nado. Para manter uma respiração equilibrada que nos permita nadar muito e sem cansar é preciso observar o ritmo em que estamos nadando. Quando nadamos num ritmo que nos deixa ofegantes significa que nossa respiração não está acompanhando nosso corpo e em pouco tempo teremos que parar para regulariza-la, quer dizer, o oxigênio que chega aos musculos não está sendo suficiente. O que temos que fazer é exatamente o contrário, quem deve ditar o ritmo do nado não é corpo e sim a respiração, ele que deve se adequar ao ritmo da respiração e não o inverso como a grande maioria faz. Movimentar o corpo respeitando nossa capacidade respiratória trás o equilíbrio e assim conseguimos manter nossa atividade por mais tempo e de forma confortável.
     A respiração é o ponto de partida para que todo o resto funcione, uma respiração que não é natural limita nossa atuação, nossos movimentos, impedindo nossa progressão no que quer que façamos.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ação perfeita

Existe a ideia da "ação perfeita", esta ideia diz que tudo que fazemos podemos encontrar a ação perfeita para sua execução.
A "ação perfeita" é fazer algo onde a nossa ação está em perfeita harmonia com o objeto da ação, ou seja, nos sentimos um só com o objeto, como se ele fosse parte de nós ou nós dele, a força para a execução da ação desaparece, ritmo e coordenação estão na mais perfeita ordem.
Encontrando a "ação perfeita" na água conseguiremos nadar muito e sem esforço.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A alquimia da natação



Os alquimistas buscam transformar “chumbo em ouro”, ou seja,
transformar algo inferior em algo superior. A natação não deixa de ser uma alquimia pois, temos que transformar nosso corpo denso e pesado, duro e tenso em um corpo cada vez mais relaxado, leve e flexível para que nossa natação seja cada vez melhor. Afinal, é relaxando que flutuamos e nos movimentamos com naturalidade. Mas esta transformação só ocorre quando, primeiro, passamos por uma mudança interior pois toda mudança externa é apenas reflexo das internas. A verdadeira alquimia está no autoconhecimento, na busca da transformação do ser em um ser humano cada vez melhor, e neste caso a natação é nosso laboratório, nossa ferramenta para este fim maior.

Natação e Música


Uma boa música nos dá prazer durante e depois de ouvi-lá. Uma boa natação também nos dá prazer durante e depois de nadar, se isso não  acontece é porque nosso nado ainda não está em harmonia com a água, é como uma música desafinada ou notas musicais desarranjadas. Por isso nadar é como estar ouvindo música, se a música é boa temos prazer em ficar ouvindo,mas se é ruim, incomoda e queremos que acabe logo. Quando nadamos bem temos prazer em estar ali, nadando, mas, quando nadamos mal, nadar é um sacrifício e queremos, também, que acabe logo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Primeiro passo para melhorar o nado

Abaixo segue algumas das muitas questões sobre o nado crawl.
Ao nadar tente responder algumas delas, sem pressa, pois respostas rápidas levam a conclusões erradas, pode-se passar horas ou até dias observando, meditando sobre uma única questão. Perceber o que se faz é o primeiro passo para quem quer melhorar sua natação.

01) Qual a posição da palma da mão ao entrar na água?
02) A mão entra na água perto da cabeça ou longe da cabeça?
03) A mão entra na água na linha do ombro, mais para fora ou mais para dentro?
04) Durante a puxada as mãos estão espalmadas, em conchas? Dedos unidos ou separados?
05) Quanto o cotovelo está flexionado ou estendido durante a puxada?
06) Para onde a palma da mão aponta durante o início, o meio e o final da puxada?
07) No momento em que a mão está saindo da água ela está na cintura, no quadril ou na coxa?
08) A mão sai da água com a palma voltada para cima ou para dentro?
09) Durante a fase aérea da braçada a mão está mais alta ou mais baixa que o cotovelo?
10) Durante a fase aérea da braçada a mão está próxima da superfície da água ou bem mais alta?
11) Quanto o cotovelo está flexionado ou estendido durante a fase aérea da braçada?
12) Durante a fase aérea da braçada a mão está voltada para dentro, para trás, para fora ou para cima?
13) Quando o rosto está dentro da água você está olhando diretamente para baixo, um pouco para frente ou bem para frente?
14) Quando o rosto está dentro da água a cabeça fica totalmente parada ou tem algum movimento lateral?
15) Quando o rosto está dentro da água a cabeça está totalmente submersa, metade dentro ou a maior parte fora d'água?
16) E durante a respiração, a cabeça está mais dentro da água ou mais fora? está paralela a superfície ou inclinada?
17) Para onde está olhando durante a respiração?
18) Você entorta a boca para respirar ou apenas abre a boca?
19) O rítmo do braço é igual o tempo todo ou desacelera quando respira?
20) Quando uma mão sai da água onde está a outra? É igual dos dois lados?
21) Durante a respiração onde está a mão oposta a ela?
22) O braço entra na água e já começa a puxar ou alonga antes de começar a puxar?
23) O quadril fica parado, gira só quando respira ou gira para os dois lados independente de respirar ou não?
24) O tronco fica parado, gira com o quadril parado ou gira junto com o quadril?
25) Qual o tamanho da amplitude da pernada?
26) Quanto o joelho flexiona durante a pernada?
27) Qual a posição dos pés?
28) Há variação no rítmo da perna durante o nado?
29) Os pés ficam próximos da superfície, saem da água ou ficam fundos?
30) Cabeça, quadril e pés estão alinhados horizontalmente ou estão em profundidades diferentes?...

...Paro por aqui com a certeza de que ainda há muitas outras questões sobre a forma como nadamos.

Pontos Chaves

Mãos, punhos, cotovelos, ombros, pescoço, quadril, joelhos e tornozelos.
Saber relaxar e alongar os músculos destas articulações
na medida certa para cada momento do nado.
Estes são os pontos a serem estudados para o nado perfeito.

Assim se nada

Nade com a mesma atenção com que lê um lívro,
mergulhando na imaginação de como está nadando.
Observe seu nado da mesma forma que observa uma obra de arte,
cada vez que observa vai descobrindo coisas novas.
Nade apreciando seu nado assim como aprecia um bom prato,
a cada braçada é um momento de prazer.
Nade se entregando a água assim como se entrega a uma grande paixão,
nade de corpo e alma.
Nade com a água e não contra a água,
Seja um só com ela.

Atenção

Nadar sem prestar atenção no nado
é como ler um livro e não saber o que leu
é como ver um filme e não saber o que se passou
é como comer algo e não lembrar do sabor
é como ter música no ambiente e não estar ouvindo
é como estar na sala de aula e não escutar o professor.
Nadar sem prestar atenção no nado
é dizer que nada “contando azulejos"
é querer relaxar sem estar relaxado,
é nadar e não saber como está nadando,
é não aproveitar tudo o que a natação pode oferecer.

Como a água

A água é mole, mas não é fraca.
Ela é forte, mas não é dura.
Seja como a água:
Nade relaxado sem ser fraco.
Nade forte sem ser duro.

Compreensão

É você que se adapta a água e não ela a você.
Querer dominar a água é querer dominar o indominável.
A água só pode ser compreendida e não dominada e
ao compreende-la tudo que quiser fazer será feito por ela.
Por isso quem a compreende não se esforça para nadar.
A única coisa a ser dominada é a si próprio,
só assim será capaz de compreender a natureza da água.

Confiança

Ao nadar percebi que a água é como uma mãe. Uma mãe que carrega seu filho no colo. Se me debato e me mexo desesperado fica difícil dela me segurar, sustentar. A água não nos puxa para baixo, ela nos empurra para cima. É a falta de confiança em nós mesmos que nos faz afundar.
Confiar na água é confiar em si mesmo.

Desabafo

O que vejo, quase ninguém vê.
O que penso, ninguém se importa.
O que sinto, ninguém entende.
Será que estou além ... ou aquém?
Aprendi nadar sem fazer força,
mas dizem que isso é impossível.
Me viram nadando o golfinho sem fazer força
e continuam dizendo que é impossível.
Será que estou louco?...
Me sinto um peixe fora d'água...
Uma estrela longe das outras, isolada no céu...
Pareço estar na contramão...
As vezes acho que não sou deste mundo...
Serei eu um E.T. ?...
Mesmo assim, algo me diz que estou no caminho certo,
Caminho que me leva a nadar com leveza e naturalidade.
Não quero mais mudar o mundo,
nem provar coisa alguma.
Cada indivíduo é um mundo,
não posso querer que outros mundos sejam como o meu.
Só sei que o que faço e sinto é real, não é teoria é pratica
e ninguém pode tirar isso de mim
e quem acreditar em mim terá a chance de experimentar o que sinto
e encontrar o prazer de nadar, como eu.

Desenvolvendo o nado pelo simples prazer de nadar

O prazer de estar nadando não tem a ver com velocidade, tem mais com flutuar e fluir, e nem tem a ver com força, é mais com soltura e relaxamento.Também não tem a ver com vencer obstáculos, é mais com deslizar. Ter velocidade é bom, ter força é bom, e vencer obstáculos também, mas ter o prazer de estar nadando é indescritível, só quem o encontra pode saber. Assim, a busca da velocidade e da força fica em segundo plano. Mas sem querer, nadando pelo simples prazer de nadar,
acabo encontrando velocidade, força e resistência. Como isso acontece?
Estar nadando com prazer me faz querer nadar cada vez mais e nadando cada vez mais meu nado se desenvolve naturalmente.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Eu nado

As vezes me perguntam se eu nado rápido.
Respondo que depende de quem nada ao meu lado.
Para pessoas mais rápidas que eu,
eu nado devagar.
Para pessoas mais lentas que eu,
eu nado rápido.
Na verdade não nado devagar nem rápido,
eu apenas nado.

Equilíbrio

Nem oito, nem oitenta,
o equilíbrio entre os extremos
é o melhor caminho que temos,
assim é na vida, é assim na natação:
Não flexionar as pernas demais, nem estendê-las a mais.
Não elevar a cabeça demais, nem baixá-la a mais.
Não juntar os dedos demais, nem separá-los a mais.
Não abrir os braços demais, nem fechá-los a mais.
Devemos encontrar o equilíbrio,
que são os pontos de menos tensão.

Evolução

A natação é um processo.
Não existe nadar certo ou nadar errado,
o que existe são pessoas mais, ou menos, evoluídas na natação.
Tem pessoas que nadam há anos mas não evoluíram nada.
Tem pessoas que nadam há pouco e evoluíram muito.
Na evolução da natação não há uma relação direta com o tempo.
Os que tem como prioridade nadar rápido demoram mais para evoluir.
Um nado evoluído é leve, harmônico e desliza,
é livre de toda tensão desnecessária e não é necessariamente rápido.
Para evoluir é preciso estar sempre na condição de aprendiz.
Não há limite para melhorar a natação.

Fazer sem força

Usamos a força quando não conseguimos o que queremos,
quando não compreendemos ou quando não sabemos fazer.
O poder de fazer sem força vem da sabedoria, da compreensão,
ele aumenta com o passar do tempo.
O poder da força vem da ignorância, da incompreensão,
ele diminui com o passar do tempo.
A força impõem, mas não conquista, por isso é temporária.
O fazer sem força, conquista, por isso seu poder é duradouro.
Aprenda a nadar sem usar a força e também a viver sem usar a força.
Assim nada-se melhor. Assim vive-se melhor.

Forma natural

Nadar relaxado não significa nadar devagar. Devemos aprender a nadar relaxado mesmo quando queremos nadar mais rápido. O relaxamento faz com que nos movimentemos de forma natural, e não existe melhor forma de fazer algo do que a forma natural de fazer. Relaxar é o único jeito de alcançar tal forma.

Gostar de nadar

Gostar de nadar não é gostar de ter nadado, pois isso é sensação do passado, no momento do nado só se pensa em chegar do outro lado.
Como foi bom ter nadado, estou me sentindo bem agora, por ter nadado aquela hora. Este é um gostar incompleto.
Gostar de nadar é gostar de estar nadando, é sensação do presente.
O prazer é algo existente. Como é bom estar nadando, pena que está acabando. Será bom depois dessa hora, mas muito melhor é o agora.
O presente é mais importante, pois o futuro é seu reflexo. Este é um gostar completo.

Humildade

Só com humilde para compreender que a água é mais forte que nós, que não pode ser dominada apenas compreendida, que nos sustenta quando a permitimos que o faça, que ela não é contra nós e devemos nos unir a ela, e que nos permite nadar sem esforço quando compreendemos suas propriedades. Quando nadamos bem é porque estamos dominando a nós mesmos e não a ela.

Iguais

Todos os nados são iguais. Mudam os movimentos mas não os princípios.
O corpo é um só e a água também é uma só. Diferentes são os movimentos de um nado para outro, iguais são os princípios de alongar e relaxar em todos os nados. Ao melhorar um nado estará melhorando os outros também. Quem compreende isto nada bem qualquer nado e por isso é um nadador completo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Importante

O importante não é o que você nada, não é a velocidade com que nada, nem o quanto você nada, o importante é como você nada, é a experiência que vivencia a cada braçada. Anos de natação não fazem o bom nadador, nem a quantidade nadada, algo a mais é necessário. Sentir e compreender aquilo que se faz. O importante é a qualidade da atenção que se dá ao nado.

Lamento

Ao nadar me sinto livre.
Livre do mundo que vivo.
Longe de tudo e de todos.
Enquanto nado não penso,
apenas vivo o momento.
Momento de sensações
que se transformam em paz,
paz que se transforma em alegria,
alegria que é ilusão.
Ilusão de que só existe este momento.
Que o tempo parou.
Que a realidade fora dali é só minha imaginação.
Quando nado quero esquecer tudo que sou, tudo que vivo.
Quero ser parte da água,
me desmanchar e misturar a ela.
A água faz parte da minha vida
mas minha vida não faz parte dela,
pois se fizesse parte
não estaria aqui, escrevendo.
Lamento que não seja assim,
pelo menos posso viver minhas ilusões,
de vez em quando, quando nado.

Letras

Andar e nadar são parecidos até na escrita:
Usam as mesmas letras,
Os dois terminam com "dar",
É só inverter o "a" com o "n",
Que andar, vira nadar.

domingo, 30 de agosto de 2009

Liberdade

Para nadar bem é preciso se sentir livre. Livre para se movimentar como quiser, para experimentar, mudar, fazer diferente. Livre de conceitos, preconceitos e desejos, do medo de errar, de questionar.
A sensação de liberdade na água só se consegue quando nos entregamos a ela sem intenções e desejos, quando permitimos que ela nos conduza, no ritmo dela, quando relaxamos e respeitamos nossos limites, quando compreendemos que tudo que queremos fazer a água pode fazer por nós.

Mais que a força

Um motor potente sem uma boa aerodinâmica, sem bons pneus e
sem um bom piloto não fará um carro veloz. De nada adianta usar força para nadar se não consegue relaxar, alongar e deslizar. Quanto maior a força, maior deve ser o relaxamento, o alongamento e o deslize. Quem valoriza a força mais do que o necessário acaba desprezando o que realmente é mais importante.

sábado, 29 de agosto de 2009

Mudanças

Para melhorar seu nado você deve mudar seu jeito de nadar, para mudar seu jeito de nadar você deve mudar sua forma de pensar, para mudar sua forma de pensar
você deve acreditar que pode ser melhor.
Mude a forma de pensar e mudará a forma de agir. Assim começam as mudanças,
de dentro para fora. Querer mudar sua natação antes de mudar sua forma de pensar é como querer rezar sem ter fé.

Como melhorar?

Somos resistentes às mudanças. preferimos nos acomodar, temos medo do desconhecido, somos orgulhosos. Ainda assim queremos melhorar o que fazemos. Isto é incompatível, só podemos melhorar algo quando há mudanças, quando não nos acomodamos, quando trocamos o medo pela esperança e quando deixamos o orgulho de lado.
Melhorar é fazer diferente, é sair da inércia, é não ter medo de experimentar, é ser humilde e se fazer de aprendiz.

Sonho

Muitas vezes sonho que estou nadando. Nestes sonhos sempre nado o Golfinho.
Estou sempre nadando numa leveza e tranqüilidade incomum, mais incomum ainda é o local onde nado. Nunca estou numa piscina, nem no mar ou água alguma,
as vezes estou em alguma rua, ou num grande pátio. Fico parado, em pé, de repente uma leve brisa começa a tocar meu rosto, nesse momento inclino meu corpo à frente, mergulho suavemente no ar e começo a voar/nadar. Meu corpo fica mais ou menos a um metro e meio do chão, as vezes percorro pequenos trechos, paro e começo de novo. Costumo falar para meus alunos que nado porque não sei voar mas nos meus sonhos eu nado voando.

Minha natação

A água não é um obstáculo a ser vencido nem o cronômetro é um cobrador de resultados e as pessoas que nadam ao meu lado não são adversários. A água é um elemento da natureza, o cronômetro é um objeto que marca o tempo e as pessoas são pessoas nadando.
A água, o cronômetro e as pessoas são o que desejamos que sejam para nós. O que você deseja que eles sejam? Para mim, a água é apenas a água, o cronômetro é apenas um cronômetro e as pessoas, nada mais que pessoas.
Não luto com a água, não desafio o tempo, não compito com as pessoas. Por não lutar com a água nado sem fazer força, por não desafiar o tempo o cronômetro não me escraviza, por não competir com as pessoas não me sinto desafiado.
Gosto de nadar assim. Nado em paz. A minha natação não é para os outros, é para mim.

Momentos

Tem momentos em que a natação é tudo:
é exercício para o corpo,
é exercício para a mente,
é filosofia, é arte,
é meditação, é paz,
é minha paixão, minha vida.
Tem momentos em que tudo é natação:
meu jeito de pensar,
meu jeito de agir,
meu jeito de ser, aprendi...
...nadando!?
Em outros momentos a natação não é nada:
não é exercício para o corpo, nem para a mente,
não é filosofia, nem arte,
não é meditação, nem paz,
não é minha paixão, nem minha vida,
é apenas natação, nada mais.
Em outros momentos ainda, o nada é natação:
fazer nada para relaxar;
fazer nada para alongar;
fazer nada para deslizar;
fazer nada para flutuar;
fazer nada...
...assim se nada.
São momentos que se revezam,
as vezes inconstantes,
as vezes a cada instante,
as vezes são únicos,
outras vezes são um.

Nadando golfinho (borboleta)

Começo a nadar. Logo procuro o ritmo perfeito. Sinto meu corpo cada vez mais relaxado, a respiração tranqüiliza. Meu corpo parece ir sozinho.
Encontro tal ritmo e nado sem esforço algum, meu corpo sobe pelo impuxo da água, mergulha pela ação da gravidade, meus braços passam pela água sem força, minhas pernas estão soltas, braços e pernas acompanham o movimento do corpo.
Nado sem pensar em nada, meus olhos ficam serrados, só escuto minha respiração e o barulho da água, tenho a impressão de estar cochilando.
Sinto cada parte do meu corpo, ao mesmo tempo pareço não estar ali.
Ao subir para respirar olho rasteiro a superfície da água, vejo um horizonte de água à minha frente,
pareço estar viajando, atravessando o oceano, tenho a sensação de ter incorporado o espírito de uma baleia como se pudesse experimentar, sentir o que ela sente, ver através de seus olhos enquanto nada tranqüila e serena sobre a superfície do mar tão calmo quanto ela. Não da vontade de parar.

Nadar e Meditar

Natação também é meditação, é meditação em movimento. A mente deve estar livre de qualquer pensamento.A atenção voltada para o momento presente, não no passado, nem no futuro. O importante é o agora. Devemos estar atentos as nossas sensações, sem preconceitos, abertos a modificações. Devemos sempre procurar a naturalidade dos movimentos, sentir e fazer com soltura é o caminho para nadar cada vez melhor.

Nadar bem é...

...Nadar livre de toda tensão desnecessária.
...Relaxar, alongar e deslizar.
...Harmonia nos movimentos.
...Nadar no ritmo perfeito.
...Se sentir leve ao nadar.
...Conhecer a metafísica da natação.
...Ter prazer em nadar, extasiar.
...Crer em algo a mais.
...Ser feliz e nadar em paz.

Nadar bem e andar

Nadar não é diferente de andar, andar tem ritmo, tem descontração, tem balanço, nadar bem também tem. Andar é coordenação de movimentos, é dominar suas próprias ações, é ser livre para se movimentar, nadar bem também é. Andar não cansa, não agride, não estressa, nadar bem também não. Andar se faz com o mínimo esforço para se deslocar, se faz sem regras pré-estabelecidas, se faz com naturalidade, nadar bem também assim se faz.
Observe como anda e saberá como deve nadar.

Nadar com prazer

Tem gente que nada rápido, mas não com prazer. Tem gente que nada com prazer, mas não rápido.Tem poucos que fazem os dois e tem muitos que não fazem nenhum. Nadar rápido e nadar com prazer são princípios diferentes para a mesma atividade.Tem muita gente que tem prazer em ser rápido, mas não encontra prazer no próprio ato de nadar.

Nado Perfeito

Harmonia nos movimentos..Fazer muito, com pouco.
Nos movimentos, harmonia com a água..Pouco barulho, pouca agitação.
Suave e tranquilo para quem o vê, leve e relaxado, alongado e firme para quem o faz. Nadar com soltura. O corpo se torna uma única peça, tudo interligado. Suaves curvas fazem as juntas. Assim é o nado perfeito.

Não gostar

Gostamos daquilo que sabemos fazer, mas não daquilo que não sabemos fazer. Gostamos daquilo que temos facilidade em fazer, mas não daquilo que temos dificuldade em fazer. Não estar gostando de um nado é sinal de falha no aprendizado. Aprendendo a nadar "corretamente" acabará este preconceito.

O meu eu e o meu nadar

O meu jeito de nadar é expressão do meu jeito de ser, assim como o meu jeito de ser é expressão do meu jeito de nadar. O meu jeito de ser e o meu jeito de nadar são expressões um do outro. Não poderia ser diferente, afinal, sou um só, por isso ao nadar expomos parte do que somos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O meu mestre

Na faculdade aprendi com os professores, depois aprendi com os livros e outros profissionais. Mesmo com tantos estudos sentia que ainda faltava algo. Percebi que se quisesse aprender mais deveria ir direto a fonte: A água. Abri minha mente e abri mão de tudo que havia aprendido anteriormente, livrei-me dos conceitos e preconceitos arraigados em mim por outros, esvaziei-me, comecei do zero. Ao entrar na água me isolava do mundo, sentia-me longe de tudo e de todos, era eu e a água, a água e eu. Experimentei nadar de várias maneiras durante muitos anos. Era professor e aluno ao mesmo tempo. Pesquisador e pesquisado. Cientista e cobaia de mim mesmo. Descobri que nada é exatamente como muitos falam e ensinam. Só passando por uma profunda experiência é que se compreende isso. Reaprendi e reinventei os nados. Mesmo depois de muitos anos, cada vez que entro na água, vou descobrindo coisas e assim continuo aprendendo. A água se tornou meu mestre. Que outro mestre melhor haverá para a natação? Entreguei-me a água de corpo e alma, e ao fazer isso passei a ver o que eu não via, ouvir o que não ouvia e sentir o que não sentia. No começo era só confusão, mas depois veio a compreensão.

O movimento seguinte

Não se preocupe com o movimento seguinte. Preste atenção em que faz no exato momento. Pensar em um movimento fazendo outro
não fará bem nenhum deles. A perfeita execução do movimento seguinte
depende da boa execução do movimento presente. O movimento de agora é conseqüência do que se fez no movimento anterior.

O prazer de nadar

Escorregar mansamente pela superfície da água.
Ser sustentado pelo imenso colchão d'água.
Se sentir leve e se movimentar sem cansar.
É quase que estar voando.
Pensando bem, eu nado porque não posso voar.
Se soltar e não afundar. Flutuar
Escorregar mansamente. Deslizar
Movimentar sem esforço. Relaxar e alongar
É nisto que se resume "o prazer de nadar”

A perfeição através da não-intervensão

Quando estudamos a natação, aprendemos muitas técnicas.
Quando seguimos o Caminho, aprendemos a fazer cada vez menos,
e quanto menos fazemos, mais a água faz por nós.
É através da não-intervensão que nos aproximamos da perfeição.
Quanto mais interferimos, mais nos distanciamos da essência da natação.

Oração antes de nadar

Espírito da água, neste momento entrego-me a ti de corpo e alma para que possa me conduzir da melhor forma. Creio em ti para alcançar a verdadeira sabedoria e fazer da minha natação a Arte de Nadar. Lave minha mente para que possa sentir toda plenitude deste contato. Purifique minha alma para que possa elevar meu espírito junto ao seu e assim estar mais próximo de Deus, transformando o meu nadar num ato sagrado.

Paciência

A Sabedoria vem com o tempo e a paciência vem com a sabedoria.
Paciência é qualidade necessária. Se pratica e se desenvolve.
Com paciência se alcança. Facíl de entender, difícil de praticar.
Temos pressa de aprender. Não esperamos. Logo desistimos.
É preciso compreender que nadar bem são anos de prática consciente.
A falta de paciência interrompe o processo e o desenvolvimento do nado e assim passamos a nadar do mesmo jeito todos os dias.
Nadar com calma. Esperar a hora certa. Ela chegará.
Paciência para meditar enquanto nada. Como estou nadando? Assim percebe tensões e movimentos e desenvolve profundo conhecimento sobre a água, Sobre si mesmo e a relação entre os dois.

Sem esforço

Não é se esforçando que se nada muitos metros. Fazer esforço cansa,
assim nada-se menos. O que faz nadar muitos metros é deixar de fazer esforço. Sem esforço não se cansa, assim nada-se mais.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Prioridade

Primeiro aprenda a nadar bem e depois, se quiser, adquira força.Isso  resultará em nadar bem com velocidade.
Para nadar bem é necessário relaxar, alongar e deslizar. Para nadar rápido é necessário relaxar, alongar, deslizar e fazer força.
Priorizar a força para nadar não é o melhor caminho, pois uma das coisas para se nadar bem é justamente aprender a nadar sem usar força, para depois aprender a usá-la com eficiência.

Quando a dualidade desaparece

Interagir, integrar-se, entregar-se. Tornar-se um só com a água. A dualidade entre o ser e a água desaparece. O ser se torna parte da água.
Compreende e vive em harmonia com ela. Não a teme, mas a respeita, pois a conhece profundamente. Sabe de suas propriedades, sua força, sua sutileza e age de acordo com isso, assim nada com prazer, sem esforço e a natação torna-se algo muito além de um esporte.

Quanto menos melhor

Quanto melhor minha pernada menos pernadas preciso dar.
Quanto melhor minha braçada menos braçadas preciso dar.
Quanto melhor meu nado menos preciso me movimentar.
Quanto mais aperfeiçôo meus movimentos menos preciso deles.

Questão de força

Nado muitos metros de golfinho, e às vezes me perguntam como se consegue isso, respondo que é questão de força. Quanto menos força faço, mais consigo nadar.

Realidades

Na natação é preciso sentir e experimentar. Só vivenciando é que passamos a crer verdadeiramente em algo. Más aquilo em que acreditamos por experiência é apenas a nossa realidade. Cada um tem a sua de acordo com suas vivências. Devemos crer que existam realidades melhores que as nossas, buscá-las até encontra-lás e compreende-las de acordo com nossas experiências.

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