sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Aprendendo a nadar com os animais

            Observar peixes e outros animais aquáticos em seu ambiente e imaginar-se nadando como eles é como voltar a ser criança, sonhar. Nunca nadaremos como eles mas podemos aprender muito observando-os, e usar isso para nossa natação. Devemos primeiro entender o que realmente é nadar como um desses animais. Se ficarmos focados em nadar rápido nos afastaremos cada vez mais da ideia de nadar como eles pois, a velocidade é uma consequência da forma como nadam, independente do tamanho e força, proporcionalmente, comparados a nós seres humanos, são todos rápidos quando necessário.
             Os órgãos responsáveis pela propulsão e equilíbrio dos peixes na água são as nadadeiras ou barbatanas. Nos mamíferos aquáticos, como as baleias e focas, as barbatanas são transformações das extremidades dos membros (mãos e pés). Ao observarmos estes animais em movimento notaremos que não há rigidez em suas nadadeiras, elas cedem à flexão e à pressão num estado de maleabilidade e flexibilidade. Então devemos crer que se fizermos o mesmo com nossas mãos e pés de forma coerente enquanto nadamos, seremos capazes de nadar melhor, com menos esforço.  
         Os golfinhos e baleias respiram através de um orifício localizado acima da cabeça, que é por onde eles expelem o ar e pegam fôlego para mergulhar. Este orifício está assim localizado para que não seja necessário elevar toda a cabeça fora da água para respirar, poupando esforço e energia. O nado de costas nos permite uma posição semelhante, boca e nariz ficam para cima enquanto a maior parte da cabeça está dentro da água. O Nado crawl também, pois no momento da respiração giramos até a boca e nariz saírem da água mantendo a maior parte da cabeça dentro. 
          Outro animal que nos faz pensar é o urso polar. Ele é um excelente nadador, nada num estilo cachorrinho usando seus membros dianteiros para propulsão, alcançando uma velocidade de até 9,7 km/h. Não é interessante esse detalhe de usar apenas os membros dianteiros para propulsão? Não usar os membros traseiros talvez economize energia e não faça diferença na propulsão. A pernada no nado crawl por exemplo tem uma função de sustentação e equilíbrio, ela parece ser propulsiva mas, na verdade, quando faz sua função de sustentação e equilíbrio do nado ela otimiza a propulsão dos braços deixando o corpo todo mais horizontal, próximo da superfície da água, diminuindo a resistência e facilitando o deslize, melhorando assim a velocidade e diminuindo o esforço. 
           Não é apenas uma questão de imitar os animais e sim compreender a mecânica dos movimentos que os fazem nadar com naturalidade. Ainda há muito o que observar e aprender com as mais variadas espécies de animais que tem a água como meio ambiente ou que passam boa parte de suas vidas nela e assim, vamos aprendendo, para nadar cada vez melhor.

domingo, 6 de setembro de 2015

Acreditando no "impossível"

Para a grande maioria das pessoas que gosta de nadar, nadar o golfinho é sinônimo de muito esforço. Nadá-lo é sonho impossível de se realizar pois o que se vê são pessoas se "matando" para conseguir atravessar uma piscina, assim, conclui que apenas atletas treinados e com muita força são capazes. Isso é o que vemos em toda parte: nos livros, nas matérias de revistas, dos próprios professores. "Borboleta é muito difícil e exige muito esforço". Acabamos aceitando como verdade e nem questionamos. E de certa forma é uma verdade pois é a vivencia da maioria, então é a verdade  dela, mas não uma verdade absoluta. Segundo estudos de especialistas e de acordo com seus cálculos, devido ao corpo relativamente grande, teoricamente é impossível um besouro voar. Mas ele voa. E talvez se ele soubesse dessa teoria ele nem tentaria voar e não voaria. O mesmo acontece, por exemplo, com meus alunos,  aqueles que já vem com o preconceito de que nadar o golfinho é difícil e é necessário muita força, tem mais dificuldade de aprender do que alunos que não tem essa noção e encaram-no como outro nado qualquer. Não é porque a maioria acredita que não dá pra fazer, que não dá pra fazer. A maioria já começa não acreditando por acreditar em quem não conseguiu e aí nem tenta, outros tentam mas não sabem o caminho certo para conseguir e se frustram e acabam desistindo e passam a acreditar que não dá pra fazer. Mas se você acreditar que é possível nadar o golfinho como qualquer outro nado, de que você consegue aprender e executá-lo de maneira relaxada e sem esforço, e trilhar o caminho certo para isso, então será capaz disso.

https://www.youtube.com/watch?v=zON8W9QaZFA

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A naturalidade de nadar

     Nadar pode ser tão natural como caminhar ou correr. Para isso é necessário muita prática, mas não uma prática qualquer. Tem de ser uma prática consciente que busque compreender e executar os nados de forma natural, que é a forma mais simples e ao mesmo tempo mais eficiente de se fazer alguma coisa. Muitas das técnicas ensinadas são artifícios usados na tentativa de tornar os nados mais eficientes, muitas vezes estudando apenas as partes e não o todo, analisando uma determinada articulação ou um grupo muscular desconsiderando momentaneamente outros que, na verdade, de alguma maneira estão interligados. Então uma posição ou um movimento que isoladamente pode parecer ideal pode não se encaixar no todo e aí o nado não flui. É preciso ver o todo para compreender as partes. Se é um artificio significa que é um meio artificial do qual se produz algo e se não é natural não é a melhor forma de fazer, pois tudo que fazemos com naturalidade utilizamos somente o que é necessário para cada ação. Quando o movimento é natural ele está livre de toda tensão desnecessária. Ao observar uma pessoa caminhando podemos constatar como os movimentos são feitos de forma descontraída, os braços soltos ao longo do corpo pendulando suavemente conforme o ritmo da passada, os pés saem do chão apenas o necessário para que não arraste ao dar o passo à frente, os músculos do tronco e membros inferiores se tensionam apenas o necessário para nos manter em pé. É assim que devemos pensar ao executar qualquer nado, nos perguntando o que estamos fazendo que não precisávamos fazer.
     Para que o nado se torne natural é preciso estar muito à vontade na água, estar totalmente adaptado e se sentindo parte dela. Depois é preciso estar consciente de nós mesmos e ter domínio de nossas ações. Na verdade estas ações são muito mais deixar de fazer do que fazer, pois é eliminando as tensões desnecessárias que conquistaremos a naturalidade nos movimentos e nos nados.

sábado, 9 de maio de 2015

A posição da cabeça durante a expiração

Durante o nado, no momento em que a cabeça se encontra dentro da água, devemos relaxar o pescoço e deixar que a água sustente a cabeça para nós. É o que acontece quando deitamos na água em decúbito ventral, de barriga para baixo, com o rosto na água, apenas boiando. Soltamos todo o corpo, relaxamos e flutuamos. Esta posição da cabeça é a mesma que devemos adotar durante o nado pois, é a posição natural da cabeça quando dentro da água. Não há tensão para posicioná-la, nem para baixo, nem para frente. A musculatura do pescoço fica relaxada e a água faz todo trabalho para nós. Naturalmente a cabeça assume uma posição mais baixa devido sua densidade, ficando a maior parte dentro da água e uma pequena parte da região posterior fora, como acontece com os icebergs, 90% dentro e só 10% fora d'água. Podemos observar também que o olhar fica voltado para baixo sem que possamos ver o que está à frente, ao menos que intencionemos para isso. Então, independente do nado, seja o crawl, o peito ou o golfinho, ao entrar com a cabeça na água ela assume a mesma posição para todos os nados. Durante o nado, no momento em que a cabeça se encontra dentro da água, devemos relaxar o pescoço e deixar que a água sustente a cabeça para nós. É o que acontece quando deitamos na água em decúbito ventral, barriga para baixo, com o rosto na água, apenas boiando. Soltamos todo o corpo, relaxamos e flutuamos. 

A respiração na natação

     Quando nadamos e não respiramos corretamente logo somos obrigados a parar para descansar e recuperar o fôlego. Uma má respiração faz com que não chegue oxigênio suficiente nos músculos para que possamos nadar de forma continua, ficamos com debito de oxigênio no organismo. Um bom condicionamento físico faz com que melhore a capacidade aeróbia, mas só o fato de praticar respirando da maneira correta conseguimos melhor desempenho com menos esforço. 
     Mas afinal, o que é uma respiração correta para nadar?
     Na natação inspiramos exclusivamente pela boca e a expiração é feita pela boca, pelo nariz ou pelos dois ao mesmo tempo. Apesar de as três formas de expiração serem validas a que fazemos só pelo nariz é a melhor por dois motivos, o primeiro é que podemos controlar melhor a respiração soltando o ar de forma mais regular e, segundo, dependendo da posição da cabeça ela evitará que entre água pelo nariz pois, enquanto o ar está saindo não tem como a água entrar.
     Essa respiração deve ser praticada até que ela se torne natural, assim: inspirar em um único tempo quando tirar o rosto da água e expirar quando dentro da água sem interrupção, quer dizer, sem prender o ar. Mas ela só se tornará natural quando for feita de forma tranqüila e relaxada, assim como é nossa respiração fora da água no ambiente terrestre. Além disso, existe a questão do ritmo do nado. Para manter uma respiração equilibrada que nos permita nadar muito e sem cansar é preciso observar o ritmo em que estamos nadando. Quando nadamos num ritmo que nos deixa ofegantes significa que nossa respiração não está acompanhando nosso corpo e em pouco tempo teremos que parar para regulariza-la, quer dizer, o oxigênio que chega aos musculos não está sendo suficiente. O que temos que fazer é exatamente o contrário, quem deve ditar o ritmo do nado não é corpo e sim a respiração, ele que deve se adequar ao ritmo da respiração e não o inverso como a grande maioria faz. Movimentar o corpo respeitando nossa capacidade respiratória trás o equilíbrio e assim conseguimos manter nossa atividade por mais tempo e de forma confortável.
     A respiração é o ponto de partida para que todo o resto funcione, uma respiração que não é natural limita nossa atuação, nossos movimentos, impedindo nossa progressão no que quer que façamos.

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