EIDÔ ( Caminho da Natação )

“O Eidô representa a união do homem com a água e está  no fundo de todas as tradições de natação japonesa, é o início dos sistemas clássicos e das antigas escolas.”

“A filosofia Zen está presente no Eidô. O método se baseia na experiência pura, que não se preocupa com teorias e conceitos, mas sim com a percepção, a experiência de cada um, que aos poucos desenvolve uma intimidade do corpo com a água.”

“O gosto pela água se dá quando se experimenta uma sensação de liberdade, relaxamento e união com a água.”

“Só vivendo intimamente com algo você começa a compreendê-lo, assim também é com a água. Para compreende-la e ficar com ela é preciso dar-lhe atenção.”

“Não se ganha a liberdade através do esforço e da busca, mas por meio da entrega total; os que lutam para sobreviver não vivem... Você luta, briga, tenta dominar a água, vencê-la, e acaba apanhando. Todo esforço distância daquilo que quer, tornando mais forte aquilo contra o qual luta. Então você descobre que querendo boiar afunda, e querendo afundar, boia.”

“A água é um meio no qual é possível se fazer menos e deixar acontecer mais, pode-se permitir o fluir.”

“Só tendo confiança no ambiente aquático para poder se entregar e se integrar com a água, alcançando assim a plenitude desse contato.”

“No âmbito da água deve-se procurar desenvolver a capacidade de relaxar, a integração com a água e a eficiência de se conseguir com o mínimo de esforço o máximo de deslocamento.”

“Ser igual a água é sentir-se como ela, é ser um só com ela...não luta, não resiste. O corpo desaparece, a água toma conta da alma e o nadar transforma-se num ato sagrado.”

“Uma pessoa encontrou o caminho da água, isto é, unificou o corpo e a alma com a água (suishin), quando ela não provoca ondas ao nadar, não levanta espumas e consegue deslizar.”




Fonte: Roberto Cenni. Kan-Ichi Sato, Vida na Água. São Paulo, SP: Pioneira, 1993.

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